Entrevista

Mercado exige inovação contínua

Sustentabilidade, conservação mais eficiente e conectividade são temas chave.

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Luis Felipe Dau - Presidente da Embraco
Engenheiro eletrônico, com MBA em Administração pela Tuck School of Business dos Estados Unidos, luis Felipe Dau está na Embraco há 10 anos, sendo seu presidente desde fevereiro de 2016. Antes disso, ocupou outros importantes cargos na empresa, em diversas áreas, tanto no Brasil quanto no exterior.

 

Como vê a situação do mercado de refrigeração hoje?

Nos últimos dois anos, o mercado de refrigeração no Brasil sofreu forte desaceleração, relacionada com a contração econômica do país. Além disso, o aumento dos custos colocou também pressão na rentabilidade e tivemos que investir em esforços para ganho de produtividade e reposicionamento de produtos. Outros países da América Latina vêm sofrendo a mesma pressão, alguns por consequência inclusive da recessão brasileira, e outros por mudanças políticas, como a Argentina.

 

Como a região se situa em relação ao restante do mundo?

O mercado latino-americano representa de 5% a 7% da demanda global de compressores. Em relação à regulamentação energética, por exemplo, a região ainda tem passos importantes a dar quando comparada a grandes economias como China, Estados Unidos e países da zona do Euro.

 

Quais são as tendências para os próximos anos?

Os compressores com velocidade variável são uma realidade atual, que vai se acelerar num futuro próximo. Já vemos movimentos nos mercados asiático e europeu, com a conversão de compressores on-off para essa tecnologia. A motivação é a crescente procura por sistemas de refrigeração com maior eficiência energética, menor ruído e que preservem por mais tempo os alimentos. Além disso, a confiabilidade desses compressores também é um diferencial para os fabricantes e os consumidores.

 

Destacaria outros aspectos relacionados à inovação?

A conectividade é outra tendência relevante, muito relacionada com a Internet das Coisas. No caso dos refrigeradores, novas funcionalidades serão desenvolvidas para conectar cada vez mais o usuário com os equipamentos, trazendo vantagens em preservação de alimentos, manutenção dos equipamentos, redução de problemas com a falta de produtos em estoque, entre outros.

 

Como as exigências ligadas à sustentabilidade impactarão o setor?

O uso de fluidos refrigerantes naturais está em pauta no mundo inteiro, tanto para aplicação em refrigeração doméstica, quanto comercial. Discussões relacionadas à segurança das linhas de produção, assim como dos próprios produtos, estão em andamento. A mudança para o uso desses fluidos deve ser gradual e envolverá investimentos para conversão de linhas e equipamentos. Os Estados Unidos, por exemplo, estão avançando na discussão legal dessa questão e em breve poderão exigir a utilização de fluidos naturais em todos os equipamentos de refrigeração doméstica e comercial leve.

 

A Embraco está pronta para essa nova realidade?

A Embraco está pronta para atender à legislação futura e às melhores práticas exigidas pelo mercado. Há mais de 20 anos, temos um portfólio robusto de compressores para fluidos refrigerantes naturais, tanto para uso comercial como doméstico, evitando efeitos negativos à camada de ozônio. Além dos benefícios ambientais, sistemas com esses fluidos refrigerantes ajudam significativamente na redução do consumo energético, em comparação com os fluidos sintéticos.

 

Como enxerga o cenário para montadoras de equipamentos de refrigeração?

As montadoras estão passando por um momento de grande competição, especialmente em mercados sem crescimento significativo. Algumas compras de empresas e fusões estão acontecendo ao redor do mundo.

O maior desafio que vejo na indústria é o de diferenciação. Pesquisar em detalhes o comportamento do consumidor e traduzir em atributos que este consumidor valorize, mercado a mercado, é o fator-chave de sucesso. A cadeia de valor da refrigeração terá que se reinventar e inovar bastante. Quem fizer melhor esse trabalho será vencedor na nossa indústria.

 

Como vê esse mesmo cenário para os profissionais de assistência técnica?

Quando a economia está em baixa, acredita-se que o mercado de reposição e assistência técnica desacelere menos do que a média, seguindo a lógica do “consertar ou comprar novo?”, além do fator natural de reposição de sistemas.

Se o mercado está aquecido, um serviço diferenciado é chave do sucesso para o crescimento, tanto por parte dos profissionais de assistência técnica, quanto das revendas de peças e componentes.

 

Por falar em revendas, qual é a sua visão sobre o futuro delas?

Na mesma direção das montadoras de equipamentos, o mercado de revendas deve se reinventar e oferecer serviços rápidos, eficientes e focados nas necessidades dos clientes.

 

Como a Embraco está se preparando para as transformações que o mundo viverá nos próximos anos?

O cenário socioeconômico local e global orienta as nossas diretrizes e nos faz pensar diariamente como devemos agir diante de um mercado com mudanças constantes. Acreditamos muito na nossa missão de fornecer soluções inovadoras para uma melhor qualidade de vida!

Queremos crescer em parceria com nossos clientes e em mercados de alto potencial de crescimento. Além dos negócios atuais, buscamos crescer por meio da nossa área de Novos Negócios. Nada melhor que “olhar para fora” e analisar de que forma podemos aplicar novos conceitos e propor novas soluções aos clientes.

Entendemos a necessidade de nos anteciparmos às novas tendências de mercado, tanto na refrigeração doméstica quanto na refrigeração comercial, com o objetivo de direcionar nossas atividades e, assim, adicionar valor aos nossos clientes e acionistas.

Tecnologia e inovação estão no nosso DNA e continuarão fundamentais para o nosso futuro, aliadas a uma capacidade muito forte de adaptação rápida às mudanças que o mercado atual nos demanda.